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Melhora nos índices socioeconômicos reduz número de mortes por doenças do coração



tabela-numeros-dwphotosUm grupo de pesquisadores da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) analisou as taxas de mortalidade por doenças do aparelho circulatório nos estados do Rio, São Paulo e Rio Grande do Sul e concluiu que a melhora na condição de vida da população pode ajudar a reduzir o índice de morte por problemas cardiovasculares.

Segundo Gláucia Maria Oliveira, professora da UFRJ, presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro (Socerj) e uma das autoras do estudo, alguns fatores que contribuem para essa redução são a queda da mortalidade infantil, a elevação do PIB per capita e o aumento da escolaridade. A pesquisa trabalhou com indicadores socioeconômicos a partir de 1950 e analisou a mortalidade registrada pelo DataSUS entre os anos de 1980 e 2008.

As taxas de mortalidade por doenças do aparelho circulatório nos três estados e capitais estudadas apresentaram valores intermediários, se comparados a outros países. Os três apresentaram, a partir do ano 2000, taxas entre 300 e 400 óbitos por 100 mil habitantes. O Japão, como referência, apresenta em torno de 110 por 100 mil habitantes.

“Se você tem um pouco mais de dinheiro, fica mais tempo na escola, trabalha, faz faculdade e tem mais acesso a informação. Tudo isso contribui. O indivíduo passa a se alimentar de uma maneira melhor, faz exercícios etc. Ele pode ter acesso a produtos que antes não tinha, como alguns industrializados, mas ao mesmo tempo tem mais consciência de que aquilo faz mal”, afirma Gláucia.

A médica acrescenta que quando há investimentos do setor público os benefícios atingem todas as faixas da sociedade. “Quando se investe no PIB, investe-se para todo mundo. Essa é a vantagem. No Rio de Janeiro, se houver investimento de R$100 na economia, há queda de 1,5% até 2% no número de casos de doenças isquêmicas do coração, enquanto a incidência de doenças do aparelho circulatório em geral cai até 6%”.

De acordo com Gláucia, os índices socioeconômicos influenciam também o tempo entre investimento e retorno. Todas as capitais apresentaram melhoras sociais ao longo dessas décadas, mas o Rio de Janeiro possui o índice socioeconômico mais baixo. “Em São Paulo, como o nível é melhor, se houver o investimento verifica-se o benefício em um ano. Já no Rio de Janeiro, o tempo para se observar o benefício pode variar em torno de 20 a 30 anos”.

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