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Conheça os procedimentos que devem ser seguidos em caso de infarto



Tempo é fundamental para um tratamento sem sequelas.

Um dos fatores que mais contribui para a redução da mortalidade em decorrência do infarto – senão o fator principal — é a rápida assistência prestada ao paciente. Em um pronto atendimento, é fundamental seguir determinados procedimentos para reverter o quadro o mais rápido possível, reduzindo o número de mortes e de sequelas.

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É essencial que toda a equipe de atendimento esteja capacitada para reconhecer um quadro de infarto e a gravidade de cada um deles. “Não se deve subestimar queixas que se assemelhem aos sintomas de um infarto, por mais simples que pareçam. O retardo do atendimento pode colocar um paciente em risco de morte”, afirma Luiz Ângelo Peixoto, médico residente em cardiologia no HCor (Hospital do Coração) e instrutor do ACLS (Suporte Avançado de Vida em Cardiologia do Hcor).

“A equipe de enfermagem ou o próprio atendente do balcão deve realizar uma triagem em no máximo 10 minutos. Na sequência, deve encaminhar o paciente para a realização de um eletrocardiograma para confirmar ou não a suspeita de infarto.” A afirmação é de Marcelo Cantarelli, cardiologista presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia Intervencionista. Para Cantarelli, o tempo é peça chave na busca pela redução do risco de morte.

Peixoto ressalta a importância de realizar uma avaliação clínica prévia do paciente antes mesmo do eletrocardiograma, para aferir sinais vitais como temperatura, pressão arterial, frequência cardíaca e respiratória. “O enfermeiro deve encaminhar essas informações juntamente com o resultado do eletrocardiograma para a avaliação de um cardiologista ou de um médico capacitado em atendimento de emergência”, diz.

Simultaneamente à realização do eletrocardiograma, outros procedimentos devem ser realizados, como oferecer oxigênio para o coração via cateter ou medicamentos intravenosos, além de administrar vasos dilatadores coronarianos para dilatar os vasos e baixar a pressão arterial. “Também é fundamental oferecer medicamentos betabloqueadores para reduzir o trabalho do coração e a dor, além de utilizar medicações antiagregantes, que ajudam a diminuir o coágulo e dão início à desobstrução do vaso”, complementa Cantarelli.

O passo seguinte é tentar desobstruir a artéria com a administração de um trombolítico (em até 30 minutos após o início do atendimento), medicamento intravenoso que ajuda a dissolver o coágulo. A medida, entretanto, pode não ser suficiente. “Se o quadro de infarto permanecer, em até 90 minutos deve ser feito o cateterismo, exame que permite visualizar as artérias coronárias e avaliar o estado da obstrução. Em seguida, é feita a angioplastia, cirurgia que desobstrui a artéria”, explica Cantarelli. Caso o hospital não possua uma sala apropriada para esses procedimentos, o paciente tem de ser encaminhado para outro hospital em até 2 horas.

O que o paciente pode fazer

Se o tempo é primordial para o sucesso do atendimento, é claro que o paciente tem papel importante, já que é ele quem dá início ao processo.

É preciso ficar atento e agir rapidamente. Se o paciente sentir dores no lado esquerdo do tórax, com irradiação para braços, mandíbula ou região acima do umbigo, por vezes acompanhada de náuseas, vômitos e sudorese fria, deve imediatamente tomar três comprimidos (de 100 miligramas cada) de ácido acetilsalicílico (AAS), pois o medicamento ajuda a dissolver o coágulo. “E em seguida entrar em contato com o SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) pelo 192 e relatar os sintomas”, explica Peixoto. Atenção: alérgicos ao AAS devem somente chamar o serviço de emergência.

Os familiares e acompanhantes podem ajudar ligando para o SAMU, já que, devido aos sintomas, o paciente pode estar em situação desconfortável para fazer o telefonema. “Não é aconselhável tentar transportar a pessoa para o hospital, pois as medicações que aumentam a sobrevida estão disponíveis nas ambulâncias do SAMU e serão administradas ao paciente o quanto antes”, finaliza Peixoto.

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