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Bebidas alcoólicas podem agravar ou causar problemas no coração



O Brasil supera a média mundial quando o assunto é consumo de álcool. Dados divulgados pela OMS (Organização Mundial da Saúde) em 2014 revelam que pessoas acima de 15 anos consomem cerca de seis litros por ano. No Brasil, a média é de 8 litros por ano. Ingerir bebidas alcoólicas pode ser saudável para o coração, mas dentro de um limite. Se ingerido em grande quantidade e em um curto período de tempo, pode trazer danos irreversíveis ao órgão e levar o indivíduo à morte.

Quanto posso ingerir sem comprometer a saúde cardíaca?

Às vezes, após uma morte causada por ingestão de álcool em excesso, ouvem-se relatos de conhecidos espantados porque a pessoa “era saudável”, “praticava esportes”, “nunca tinha tido nenhum problema”. Na verdade, não é motivo de surpresa. Muitas doenças cardíacas não se manifestam por anos, mas o álcool pode servir de gatilho para consequências graves.

“Tanto quem tem doença cardíaca, seja silenciosa ou não, quanto quem não tem, pode ser vítima de um problema no órgão por conta da ingestão de bebidas. Ela pode causar um agravo ou ser a própria geradora”, explica d dr. Marcelo Sampaio, cardiologista do hospital Dante Pazzanese. Segundo ele, é comum que pessoas tenham doenças no coração e nunca tenham sentido nenhum sintoma, ou então tenham passado por sintomas denominados “atípicos”, ou seja, diferentes da conhecida dor no peito sobre a qual comumente ouvimos falar. É possível até mesmo chegar ao ponto de já ter havido um infarto e a pessoa só descobrir bem depois, em um exame de rotina ou em um eletrocardiograma.

Leia mais sobre sintomas atípicos do infarto

O álcool em grande quantidade causa enfraquecimento das células musculares cardíacas, levando a uma doença chamada miocardiopatia alcoólica. Funciona assim: o coração só consegue exercer sua função de bombeamento porque as sua células contraem e expulsam o sangue. Com o enfraquecimento dessas células, o coração tenta compensar dilatando suas câmaras, o que causa sua hipertrofia e aumento de tamanho. “Mas essa adaptação não resolve o problema, porque o erro está dentro da célula, que está enfraquecida”, explica Sampaio.

Outra consequência da ingestão sem parcimônia é o fechamento de artérias. O etanol tem a capacidade de liberar adrenalina na corrente sanguínea. Nas artérias coronárias, esse hormônio fica alojado nas paredes e causa o vasoespasmo — fechamento transitório da artéria. “Pode ser por pouco tempo ou por um intervalo suficiente para causar infarto ou morte súbita”, alerta o cardiologista.

Por fim, o álcool pode levar a arritmias. “O coração é uma bomba que contrai o tempo todo. Para fazer essa contração, ele precisa de atividade elétrica. Efetivamente passa uma corrente elétrica dentro do órgão. Álcool em excesso altera esse mecanismo, fazendo com que o coração saia do seu ritmo.” Quando esse distúrbio é muito acentuado, pode ocasionar parada cardíaca, o que exige socorro imediato.

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