examesCerca de 75 paulistas morrem por dia vítimas de doenças isquêmicas do coração. De acordo com o levantamento inédito da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, tais enfermidades são a principal causa de morte em todo o Estado.

Para explicar o que são essas doenças e como afetam o organismo, o médico cardiologista Marcelo Sampaio, do Instituto Dante Pazzanese, fez uma comparação com o sistema hidráulico de uma residência. “A água sai da caixa e chega por meio dos encanamentos às torneiras sem nenhum tipo de problema, não há nada obstruindo o seu caminho. Com o passar do tempo e falta de manutenção começa a haver acúmulo de sujeira e isso reduz o diâmetro dos canos. Ao girar a torneira, você percebe então que a água sai em pouca quantidade. Com o coração é a mesma coisa. Doenças isquêmicas se instalam com a formação de placas de gordura na parede das artérias, que poderiam ser os canos que citei acima. Isso dificulta a passagem de sangue e as células do coração se tornam isquêmicas, sem oxigênio suficiente, doentes”.

Ainda de acordo com o especialista, quando as placas de gordura são muito grandes e obstruem totalmente o fluxo sanguíneo, o indivíduo pode enfartar. “O infarto ocorre porque essa placa, que com o passar do tempo diminui o diâmetro das artérias, dificulta a passagem de sangue. Assim, as células cardíacas morrem.”

Os sintomas de alerta são dor ou pressão no peito e falta de ar, mas podem variar de pessoa para pessoa. Além desses, suor, palidez e até dor nos dentes podem ser sinal de que o coração não está bem. “A recomendação nesses casos é que o paciente procure um médico imediatamente e nunca espere a dor passar nem tome nenhum medicamento”, afirma o cardiologista.

As principais causas da doença são fumo, diabetes, hipertensão e colesterol elevado. Indivíduos com histórico de problemas cardíacos na família também devem ficar atentos, principalmente se o pai ou a mãe manifestaram a doença.

Antigamente, as doenças que mais matavam no Brasil eram as infecciosas. De acordo com Marcelo Sampaio, esse quadro mudou e tem relação com a melhora das condições socioeconômicas da população. “Agora, os indivíduos têm acesso a alimentos que antes não podia comprar ou simplesmente não existiam. Além disso, a nossa sociedade hoje é bastante competitiva, estressada e obesa, já que não se alimenta de maneira adequada. Tudo isso está interligado ao número dos óbitos por infarto”.

Apesar dos dados serem impactantes, Sampaio esclarece que é possível evitar as doenças do coração por meio de exercícios físicos e alimentação balanceada. “É aquela história que todo mundo já sabe, mas o índice de adesão é muito baixo, poucos cumprem. Mas vale reforçar, já que boa alimentação e exercícios evitam pressão alta, diabetes e também reduzem a obesidade”.