cardioptas21Por mais que a prática diária de exercícios seja boa para controlar diabetes, níveis de colesterol e triglicérides e prevenir doenças cardíacas, indivíduos que já possuem determinadas cardiopatias devem ficar atentos. A prescrição para esse grupo deve ser individualizada, já que alguns tipos de atividade física podem fazer mais mal do que bem ao coração.

De acordo com o médico Jomar Souza, presidente da SBMEE (Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte), pessoas com cardiomiopatia hipertrófica (CMH) têm forte restrição em relação à prática de atividades esportivas. A doença, que não tem cura, acomete uma em cada 300 pessoas em todo o mundo. É caracterizada pelo espessamento do músculo cardíaco, o que o torna mais rígido que o normal. A hipertrofia dificulta a saída de sangue do coração, forçando-o a trabalhar mais para conseguir fazer o bombeamento adequado.

“Neste caso, o ideal é fazer atividades de bem baixa intensidade, como jogar sinuca, boliche, golf, bocha, pesca e tiro ao alvo. A pessoa não pode praticar atividades competitivas, como vôlei, futebol e natação. Na realidade, o médico cardiologista irá determinar o que esse paciente pode ou não fazer, pois até para atividades como pilates, ioga e tai-chi-chuan o indivíduo pode ficar restrito, já que algumas posições podem causar aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca, levando a arritmias graves”, esclarece Jomar.

Exercícios após infarto

Aqueles que já enfartaram podem fazer atividades físicas (em geral 60 dias após a alta hospitalar), mas é imprescindível acompanhamento médico. A recomendação é fazer um teste ergométrico e um ecocardiograma antes de iniciar qualquer atividade, com o intuito de ver o nível de condicionamento físico do paciente e também analisar de perto o funcionamento do coração.

Segundo Jomar, exercícios fazem parte da recuperação pós-infarto. “Mas é necessário ir aos poucos. É recomendável fazer atividades como caminhadas, que não levam o coração a mais que 150 batimentos por minuto, para não desgastar o músculo cardíaco”.

Os exercícios ideais são os aeróbicos, como caminhar ou andar de bicicleta. A grande vantagem é que tais atividades aumentam a capacidade cardiorrespiratória, ao mesmo tempo elevando a oferta de oxigênio e diminuindo o consumo do gás pelo coração. A intensidade e duração deverão ser estabelecidas pelo médico, de acordo com o histórico do paciente. Em uma segunda etapa da recuperação, a critério médico, pode ser incluída musculação, para ampliar a resposta muscular, a força e a potência do indivíduo.