Alimentação


Gordura abdominal: como ela pode afetar o coração?



Risco de doenças cardiovasculares aumenta quando há excesso de gordura na região do abdômen.

Quando o zíper da calça não fecha por causa da barriga acentuada, é hora de ficar alerta. O acúmulo de gordura na região do abdômen é consequência de um desequilíbrio entre a alta ingestão de calorias e a pouca energia consumida pelo organismo. A circunferência da cintura é um importante referencial para monitorar a distribuição de gordura no corpo.

Estudo recente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) identificou que mulheres e homens acima de 54 anos predominam em um grupo vulnerável cuja medida abdominal (respectivamente acima dos 88 cm e 102 cm) é considerada nociva pelos especialistas. A obesidade no abdômen eleva o risco de ambos os gêneros dessa faixa etária desenvolverem doenças cardiovasculares. Entre as mulheres, 38,7% apresentam tal condição, enquanto entre os homens a proporção é menor, com 10,8%.

Obesidade Visceral e Obesidade Subcutânea

Existem dois tipos de gorduras abdominais: a gordura subcutânea (situada na parte inferior do corpo, abaixo da pele e acima dos músculos abdominais) e a gordura visceral (depositada na porção superior do corpo, dentro do tórax e abdômen, envolvendo órgãos como coração, fígado, rins, intestinos, baço e pâncreas).

A visceral é a mais perigosa porque o seu metabolismo é diferente do sofrido pelo tecido adiposo subcutâneo, além de estar mais sujeita a lipólise, processo em que a deposição da gordura pode resultar em diversas doenças metabólicas, como hiperuricemia (aumento de ácido úrico), dislipidemia (colesterol alto) e alterações no metabolismo do açúcar (resistência à insulina e até diabetes tipo 2).

“À medida que a gordura sofre a lipólise, é liberada uma série de subprodutos nocivos com alto poder inflamatório que, entre outras ações, agridem a parede vascular provocando o desenvolvimento da doença aterosclerótica” explica o Dr. Silvio Gioppato, coordenador médico-científico nos serviços de Cardiologia Invasiva do Hospital Vera Cruz, de Campinas. O resultado, depois de alguns anos, pode ser até um infarto.

Como identificar?

Há duas maneiras para você descobrir se a medida da sua cintura está no limite adequado. Há exames que medem a quantidade de tecido adiposo por meio de tomografia computadorizada e ressonância magnética. Também é possível simplesmente medir a cintura usando uma fita métrica. Os números recomendados são diferentes: mulheres devem manter circunferência abdominal menor que 88 cm; homens, menor que 102 cm.

Vale lembrar que nem sempre o peso indicado na balança simboliza que você está saudável. Às vezes o indivíduo é magro, mas tem um elevado acúmulo de gordura na barriga e um baixo percentual de massa magra. E lembre-se: o acúmulo excessivo de gordura especificamente no abdômen não pode ser calculado pelo IMC (Índice de Massa Corpórea).

Dicas de prevenção

O principal fator de risco para o acúmulo de gordura abdominal é o sedentarismo. “A entrada de energia por meio da alimentação ser superior ao gasto energético diário do indivíduo é outro ponto importante”, avalia Natan Daniel da Silva Junior, diretor científico do departamento de Educação Física da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp). Para evitar a obesidade abdominal, pratique atividades físicas regulares e adote uma dieta saudável balanceada. Confira algumas dicas a seguir:

Alimentação

  • Faça Refeições de baixa caloria (evitar frituras e gordura trans);
  • Evite excesso de açúcar e sódio;
  • Ingira frutas e sucos naturais;
  • Mantenha uma dieta balanceada com vegetais, legumes, cereais integrais, peixes e óleos vegetais;
  • Evite o excesso de álcool e de refrigerantes.

Exercícios

  • Fazer atividades aeróbicas (caminhada, natação, andar de bicicleta) regularmente, de 3 a 5 vezes por semana, com duração de 30 a 60 minutos;
  • Pequenos hábitos saudáveis, como subir escadas, descer do transporte público um ponto anterior ao seu destino e fazer percursos caminhando já podem fazer a diferença.